terça-feira, 17 de maio de 2011

Aquele para o qual todos apontam o dedo

Sim, eu tive o azar de nascer em uma família tradicional. Meus pais sempre me prepararam para que eu fosse mais um dos membros robóticos dela. O sonho deles sempre foi me ver casado, com filhos, um emprego qualquer… ou seja, que eu perpetuasse os valores de uma vida infeliz, exatamente como boa parte dos meus parentes.

Mas, veja só, eu nasci diferente. Até meus, sei lá, 18 anos, ainda tentei ser mais um desse universo: ia à igreja todos os domingos, tinha uma namorada supostamente legal, questionava pouco minha vida, a mim mesmo, aos meus valores e aos meus desejos. Mas, de uma hora pra outra, tudo mudou. E aquilo que parecia pleno e contínuo, desmoronou em poucas experiências. E esse tal de Gustavo não aceitava mais viver para ser aceito. Ele queria viver pra ser feliz.

Só que a vida real é bem diferente daquelas histórias bonitas que as pessoas contam, que a gente vê na TV ou que os filmes hollywoodianos insistem em passar como valores absolutos. A vida real é cruel, dolorida, as pessoas são más e egoístas e, por mais que você tente fazer tudo certo, você sempre vai ser tratado como aquele que faz tudo errado.

E o pior: essa sensação está acontecendo na mais intensa de todas as relações familiares: a relação mãe/ filho. E eu não sei mais o que fazer, não sei como proceder, como agir. As coisas estão fora de controle a todo momento, minha saúde reclama, minhas forças estão diminuindo radicalmente.

Não suporto mais ser aquele para o qual todos apontam o dedo.

Uma pequena parte de mim, uma pequeníssima parte da minha essência, acaba valendo pelo todo. Não pode ser assim.

Um comentário:

  1. Kra, a vida é simplesmente foda. Tudo o queremos é viver, apenas viver, sem medo ou receio, mas infelizmente as coisas não são assim.

    O jeito então é lhe dar com tudo, um dia após o outro e esperando, até q um dia todos possam entender esse simples desejo bobo de querer apenas viver. Isso parece auto-ajuda, mas é apenas a mais pura verdade.

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