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sábado, 20 de agosto de 2011

Não há alternativa*

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Hoje eu voltei pra casa me questionando com uma ênfase que não costumo fazer. Na minha cabeça, martelava: por que é que a gente sempre acha que não vai dar certo?

Pensei nisso depois que conversava com uma amiga sobre o levante popular em Londres, onde ambos concordamos ser sintoma de algo muito maior. Fico só esperando o dia que vai acontecer algo aqui no Brasil, ela me disse. E eu fiquei aqui pensando: nos faltam motivos?

Não, SOBRAM motivos. Mas parece pairar no ar uma certeza paralisante de que nunca vai ser possível sair de onde se está. Nunca vai ser possível olhar ao longe e conquistar novos caminhos, permeados pela igualdade e pela justiça social.

Particularmente, me sinto como se estivesse anestesiado. Parece ser uma mistura de comodismo, desesperança, falta de vontade… e infelizmente uma mágica certeza de que não há alternativa.

É, não há.

*A frase foi inspirada naquela proferida tantas vezes por Margareth Thatcher ao se referir ao neoliberalismo.

sábado, 16 de abril de 2011

Devaneio sobre a liquidez das relações

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“Fixar-se ao solo não é tão importante se o solo pode ser alcançado e abandonado à vontade, imediatamente ou em pouquíssimo tempo. Por um outro lado, fixar-se muito fortemente, sobrecarregando os laços com compromissos mutuamente vinculantes, pode ser potencialmente prejudicial, dadas as novas oportunidades que surgem em outros lugares” (Zygmund Bauman em Modernidade Líquida)

O pessimismo, a descrença nas relações pessoais e a volatilidade do mundo acabam afastando muita gente dos textos do polônes Zygmund Bauman. Eu mesmo, do alto da minha ignorância teórica, nunca teci grandes admirações sobre o autor. Mas, recentemente, tive acesso ao Modernidade Líquida que é considerada uma das obras mais importantes do teórico, e um daqueles estudos que procura  entender os mecanismos que envolvem as relações do cidadão na sociedade dita pós-moderna (ou qualquer outra nomenclatura que você deseja inserir aqui).

O trecho lá em cima chama a atenção pra um desses mecanismos, que foi o que acabou instigando o meu pensamento nos últimos dias. É triste, mas é cada vez mais impossível não perceber que criar laços é tender ao fracasso. Se sentir bem no seu lugar, convivendo no mesmo círculo de amizades e exercendo diariamente as mesmas funções sociais parece, aos olhos da ordem social atual, resultar em um ser que perde oportunidades.

Se a propriedade que para Bauman melhor exemplifica a vida atual é a liquidez, seria então essencial adotar um estilo de vida cada vez menos fixo, relações mais voláteis e mais adaptáveis e processos sentimentais menos recorrentes? Será que é preciso estar sempre preparado para a hora de largar tudo e arriscar? Para alguém que sempre tentou criar o máximo de relações duradouras possíveis, isso é meio enlouquecedor.

As vezes eu acabo pensando que o melhor seria poder ser adaptável. Largar tudo e ir por aí pode nos revelar um novo mundo. Novo mundo que, possivelmente, não será mais fácil (ou melhor) que o velho que você deixou para trás, mas um mundo que pode trazer uma quantidade de experimentações e experiências que a segurança da vida “cotidiana” parece incapaz.

É lógico que Bauman estava se referindo a processos mais amplos, mas será mesmo que não dá pra realizar relações entre suas afirmações e os aspectos mais simples e essenciais da vida diária individual atual? Creio que sim.

“Qualquer rede densa de laços sociais, e em particular uma que esteja territorialmente enraizada, é um obstáculo a ser eliminado”.