quarta-feira, 27 de julho de 2011

Epifania

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Ó Céus!

Será a razão algo tão inatingível?

Quero a consciência plena, longe das emoções mundanas que me atormentam nessa noite.

Vou cair na cama e que o sono venha logo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sobre sonhar e escrever

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Essa noite tive um sonho daqueles que me deixaram meio confuso. Sonhei, depois de anos, com minha vó Francisca, falecida em 1996, quando eu tinha míseros sete anos de idade. No sonho, ela, com aquele jeito calmo e faceiro que eu guardo na memória, me disse algumas palavras:

"Você tem que escrever sobre a inconstância do universo, meu filho. E tem que falar sobre a complexidade da vida. Não dá pra escrever sobre joguinhos pra sempre"

Acordei com essas palavras martelando na minha cabeça. Como pode uma mensagem tão clara e com tamanho sentido sendo proferida assim? Não entendo muito de psicanálise, mas estaria eu me culpado por aquilo que faço de melhor? Essa mente da gente é tão complexa e reserva tantas surpresas que eu não duvido de nada.

Só queria a vó Francisca aqui pra me explicar tudo isso.

You can put the blame on me

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Desde muito pequeno, eu sempre me culpei demais pelo que não dava certo. Desde aquela colinha que eu preparava para aquela prova que eu estava meio inseguro até o frango na final do campeonato da escola, tudo parecia motivo pra que eu me martirizasse por dias, até atingir um ponto onde não era mais possível conviver com tudo aquilo. Aí eu chorava, perdia as estribeiras, xingava todo mundo e pronto: como em um passe de mágica, as coisas pareciam voltar ao normal.

Problema é que longos 22 anos se passaram, e o Gustavo aqui continua com os mesmos pensamentos de sempre. Os problemas são outros, as situações são diferentes, mas a culpa permanece.

Me sinto culpado por não ser um bom filho, por não conseguir oferecer aquilo que meus pais esperam, culpado por não ter conseguido despertar afeto suficiente nos meus irmãos para que pudéssemos ter uma boa relação, culpado com o fracasso que é minha vida profissional, culpado por exigir demais das pessoas, por me envolver, por fazer cobranças e exigir atenção. Culpado por não ter conseguido terminar aquele game, por ter comido pouco no almoço, por ter enfrentado meu chefe quando ele estava errado. Culpado por não ser uma boa companhia quando estou triste, ou por ter sentimentos ruins como raiva e inveja em alguns momentos. Culpado pelos meus desejos, pelos meus amores e pelas minhas inconstâncias.

Culpado por me sentir culpado.