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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Charlie Brown, dia das crianças e a estética da melancolia

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Lucy: Olhe de outra maneira, Charlie Brown, nós aprendemos muito mais das falhas do que das vitórias.
Charlie Brown: Isto me faz a pessoa mais esperta do mundo.

snoopy-2Amanhã é dia das crianças. É engraçado pensar que, sei lá, dez anos atrás, eu só queria que o dia 11 passasse bem rápido pra poder saber qual seria o meu presente no dia seguinte. Hoje, olhando lá pra metade dos anos 90, é impossível não sentir aquela horrível sensação de saudosismo que chega a apertar a garganta. Tudo parece tão mais fácil quando se ainda é criança, ainda mais depois que você cresce. Quando se é pequeno, o mundo parece muito menos complexo, a vida parece menos exigente e as obrigações são menos sufocantes. A gente vive muito mais e se preocupa muito menos.

Junto com esse punhado de lembranças, veio também uma memória extremamente nítida. Dessa eu lembro bem: outubro de 1996, quando eu tinha apenas sete anos. Uma tia minha, daquelas que só aparecia em datas comemorativas, me presentou com um VHS que tinha dois ou três episódios de Snoopy, aquela adaptação dos quadrinhos do Schulz para o mundo da animação. Cara, eu devo ter visto aquilo umas cinquenta, cem vezes.

Não consigo lembrar muito bem o que me cativou, mas acho que foi a estética simples, o traço característico, a sobriedade e, não tem como não citar, a melancolia. É bem possível que na época eu não tenha percebido por quais motivos eu gostava tanto de Charlie Brown, até porque quando se é criança não há necessidade alguma de encontrar motivos para os nossos gostos. Isso é coisa de adulto.

Depois dessas lembranças – Gustavo, sentado no sofá vermelho da sala de casa (aquele que tinha uma manta xadrez jogado por cima pra esconder os rabiscos de canetinha que eu tinha feito num dia qualquer) com os olhos fixos na TV, um copo de leite com bastante Nescau entre as mãos. Só levantava de lá pra rebobinar a fita e ver tudo de novo. E de novo. E de novo. Charlie Brown me fascinava, me inspirava, me encantava. Eu era Charlie Brown.

Hoje, vejo que essa identificação dizia muito de quem eu era: um garoto melancólico, triste, fracassado. Pode ser que eu não tenha sido nada disso, mas é mais ou menos assim que eu me sentia. Afinal, a gente é o que outros dizem que somou ou o que a gente sente que é?

Me peguei preso a uma questão torturante: será que Charlie Brown me deixou melancólico ou eu é que gostei tanto assim do desenho por já ser melancólico? Talvez eu nunca vá saber.

O que eu sei hoje é que eu queria poder comemorar o dia das crianças de novo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Quando é?

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Quando é que vou poder te dar um abraço forte sempre que você chegar do trabalho?

Quando é que vou poder fazer seu prato favorito todo dia ou te surpreender com um gordice qualquer sem glutén que atravessei a cidade pra comprar?

Quando é que vou poder organizar as contas do mês contigo, dividir despesas e se desesperar quando o dinheiro parecer pouco para tantos compromissos?

Quando é que vou querer cuidar de você naquela gripe mais pesada, fazer um chazinho milagroso e fazer cafuné até você pegar no sono?

Quando é que vou poder te dar um beijo de boa noite e acordar todo dia ao seu lado?

Quando é?

Eu não aguento mais esperar.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sobre sonhar e escrever

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Essa noite tive um sonho daqueles que me deixaram meio confuso. Sonhei, depois de anos, com minha vó Francisca, falecida em 1996, quando eu tinha míseros sete anos de idade. No sonho, ela, com aquele jeito calmo e faceiro que eu guardo na memória, me disse algumas palavras:

"Você tem que escrever sobre a inconstância do universo, meu filho. E tem que falar sobre a complexidade da vida. Não dá pra escrever sobre joguinhos pra sempre"

Acordei com essas palavras martelando na minha cabeça. Como pode uma mensagem tão clara e com tamanho sentido sendo proferida assim? Não entendo muito de psicanálise, mas estaria eu me culpado por aquilo que faço de melhor? Essa mente da gente é tão complexa e reserva tantas surpresas que eu não duvido de nada.

Só queria a vó Francisca aqui pra me explicar tudo isso.

You can put the blame on me

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Desde muito pequeno, eu sempre me culpei demais pelo que não dava certo. Desde aquela colinha que eu preparava para aquela prova que eu estava meio inseguro até o frango na final do campeonato da escola, tudo parecia motivo pra que eu me martirizasse por dias, até atingir um ponto onde não era mais possível conviver com tudo aquilo. Aí eu chorava, perdia as estribeiras, xingava todo mundo e pronto: como em um passe de mágica, as coisas pareciam voltar ao normal.

Problema é que longos 22 anos se passaram, e o Gustavo aqui continua com os mesmos pensamentos de sempre. Os problemas são outros, as situações são diferentes, mas a culpa permanece.

Me sinto culpado por não ser um bom filho, por não conseguir oferecer aquilo que meus pais esperam, culpado por não ter conseguido despertar afeto suficiente nos meus irmãos para que pudéssemos ter uma boa relação, culpado com o fracasso que é minha vida profissional, culpado por exigir demais das pessoas, por me envolver, por fazer cobranças e exigir atenção. Culpado por não ter conseguido terminar aquele game, por ter comido pouco no almoço, por ter enfrentado meu chefe quando ele estava errado. Culpado por não ser uma boa companhia quando estou triste, ou por ter sentimentos ruins como raiva e inveja em alguns momentos. Culpado pelos meus desejos, pelos meus amores e pelas minhas inconstâncias.

Culpado por me sentir culpado.

domingo, 19 de junho de 2011

Cama

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Tentei dormir mais cedo hoje, pra tentar acordar bem disposto amanhã e ter um dia produtivo. Mas aí encostei a cabeça no travesseiro e comecei a pensar em tudo aquilo que anda me incomodando mais que o normal. Resultado: perdi completamente o sono e voltei pra frente do computador.

Raramente perco o sono, mas agora estou aqui com os olhos esbugalhados, a expressão meio blasé e a cabeça tão cheia de pensamentos que eu só queria deitar na cama e esquecer tudo.

O que me aflinge? O medo do futuro, a sensação de estar inerte, o medo da solidão. Medos tão meus que me sentiria menos Gustavo se não tivesse cada uma deles. Complicado é quando eles suplantam todo o resto, deixando essa sensação horrível de desconforto.

Enfim, vou tentar dormir de novo. Boa noite pra vocês.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Me fale sobre a sua vida

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Eu sempre achei meio estranho fazer análise. Não sei, a ideia de sentar olhando pra alguém que eu mal conheço e abrir a minha vida nunca me pareceu muito tentadora. Mesmo assim, resolvi aceitar o desafio – seja porque todos os outros caminhos pareciam não funcionar, seja porque na hora do desespero suas convicções não valem mais tanto assim.

E lá estou eu, sentado em uma confortável poltrona, variando a direção do meu olhar entre o teto e o meu pé, que balança rápido por culpa do nervosismo. Sai uma palavra, vem uma afronta, sai um contraponto, vem uma história.

Quarenta minutos depois estou “liberto” e curiosamente feliz. Será que o simples ato de poder falar o que se sente pra alguém que você não vai ter que olhar na cara no dia seguinte é algo que conforta a gente tanto assim? Ou será que a gente só se abre verdadeiramente com uma psicóloga porque acha que está pagando e por isso merece aproveitar esse “custo” da melhor forma possível? (maldito capitalismo)

Não sei ao certo, não sei mesmo. Fato é que hoje tenho mais um desses encontros marcados (não, não é com o Luiz Gasparetto). Depois conto mais pra vocês.

domingo, 5 de junho de 2011

Será que sorte virá num realejo?*

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Estou naqueles dias onde você espera que algo aconteça, algo que possam mudar a direção das coisas e te fazer mais feliz. Eu não tô exatamente infeliz, não é isso. Eu só acho que preciso viver de forma mais plena. Preciso respirar novos ares, enfrentar novos desafios, criar novos projetos.

Mas ao mesmo tempo, eu quero é que as coisas aconteçam de uma forma meio automática e que eu não precise muito buscá-las. Não ando com muito ânimo pra isso.

*Sim, a inspiração foi a música do Teatro Mágico

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O mais incrível ano de nossas vidas

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Eu ia escrever isso na sexta-feira, mas se bem me conheço, sei que vou estar tão atribulado com o Intercom, que ia acabar faltando tempo pra simplesmente sentar e escrever com o coração aberto. Então, lá vai

27 de maio de 2010. O dia em que a gente se conheceu.

Já contei isso em outro post, então só vou repetir aqui.

Acho que nós dois temos um pouco de vergonha da maneira como nos conhecemos. Mas isso logo passou quando começamos a conversar insistentemente pelo MSN. Era uma conversa não convencional, daquelas que eu sempre tenho com grandes amigos. Falávamos de muitas coisas, menos de nós, de um possível relacionamento ou de sexo, como é o mais comum.

Fato é que relutei um pouco em te conhecer, apesar de adorar falar com você. Já estava cansado de sofrimentos, de relações onde eu me entregava e depois não recebia nada em troca. Estava cansado de expectativas desleais e de momentos de tristeza. Mas depois de tanto em comum, de tantas conversar leais, eu simplesmente não poderia fugir. Seria te trair. Seria me trair.

Você deu a idéia, eu aceitei. 27 de maio, quinta-feira. Marcamos de nos encontrar no Zuppa, um barzinho lá na Jorge Velho depois do meu estágio e do seu trabalho. Foi difícil pra mim segurar a ansiedade, mas consegui. Logo quando cheguei, já te vi. Fiquei super sem graça, como sempre fico em todo primeiro encontro. Mas você apertou minha mão forte e me olhou com os mesmos olhos expressivos de sempre, fazendo todo aquele sentimento estranho se esvair instantaneamente.

A cada minuto que passava conversando com você (enquanto tomávamos muita coca-cola com gelo e limão, claro), me sentia de alguma forma encantado. E percebia pelos sinais do seu corpo, que estava sendo legal pra você assim como estava sendo pra mim. Você apertava as mãos com voracidade, dava sorrisos prolongados e as vezes só ficava me olhando, sem dizer absolutamente nada. E isso era totalmente recíproco.

Comemos alguma coisa, até que você fez uma piada, da qual nem lembro o contexto. Só me recordo que você disse que conseguia “prever o futuro”. Lancei o desafio e propus que você previsse o que iria acontecer naquele momento. Você simplesmente pegou na minha mão e não disse nada. Mas mesmo que sua voz não tenha dito, seus olhos disseram. E olhos são muito mais sinceros.

Me convidou para ir pro seu ap, ali perto mesmo. Relutei, mas aceitei. No caminho você pegou na minha mão e apertou forte, sorrindo e abaixando a cabeça rápido, de uma forma que demonstrava ao mesmo tempo nervosismo e alegria. Eu sentia meus batimentos cardíacos acelerarem com uma velocidade impressionante. E tudo era muito inédito.

Você me colocou pra dentro, fechou a porta e me tascou um beijo. Mas não era um beijo qualquer. Foi um beijo carinhoso, intenso. Na hora eu te senti meu par, meu cúmplice, meu companheiro. Vi claramente que ali começaria uma relação que eu não poderia simplesmente fugir. E isso já nesse primeiro momento.

 

30 de março de 2011 – O dia da volta

Todo mundo sabe que eu nunca consegui ser plenamente feliz nos sete meses que passei longe de você. Não tente entender porque eu gosto tanto da sua companhia, simplesmente não tem uma explicação só ou uma explicação simples. Me arrisco a dizer que nem tem qualquer explicação.

E foi indescritível, fantástico, o que eu senti quando atendi o telefone e ouvi sua voz. A alegria da surpresa, o conforto de ter notícias suas, os olhos marejados de esperança… consigo vivenciar cada um dos sentimentos daquele momento. Mais a noite, uma conversa longa no Talk sentenciou muita coisa e me deixou confuso deveria eu dar uma nova chance a tudo isso que sinto, correr riscos?

Eu nunca tive realmente dúvida de tudo o que eu queria fazer por você, do quanto gostava de você, do quanto te queria do meu lado. E por isso essa talvez tenha sido uma decisão mais fácil do que deveria – esse Gustavo não sabe (e não quer) esconder seus sentimentos.

E então a gente se encontrou… e voltou. Nos primeiros dias foi difícil lutar contra as dúvidas, os questionamentos, as desconfianças. Mas nós dois estávamos tão dispostos a fazer isso dar certo, que fomos superando todos os obstáculos, numa crescente que eu não conseguia sequer prever que fosse possível. Aí você se abriu comigo, a gente tem tentado se livrar das neuras, você tem me apoiado com os problemas aqui em casa…

E todo momento com você é legal, até mesmo quando a gente conversa sobre assuntos chatos, mas que são importantes, ou quando a gente simplesmente tenta não pensar neles… As vezes, preciso só do seu abraço, do seu beijo e de ouvir sua voz, nem que seja por um mísero instante.

É piegas, eu sei, mas o que realmente importa é que eu te quero do meu lado por muitos e muitos anos.

Foi um ano difícil, mas chegamos aqui melhores do que nunca.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Refletindo com Meredith Grey

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Do season finale da sétima temporada de Grey’s Anatomy:

O único motivo pelo qual eu pensei que pudesse ser feliz sozinha, não foi porque eu pensei que seria mais feliz sozinha. Foi porque eu pensei que se eu amasse alguém e acabasse, talvez eu não conseguisse sobreviver.

É mais fácil ficar sozinho porque, e se você descobrir que você precisa de amor?

E depois você não tem... e se você gostar?

E se depender dele?

E se você moldar sua vida em torno dele e então... ele acaba?

Você consegue sobreviver a essa dor?

Perder um amor é como perder um órgão, é como morrer

A única diferença é que a morte termina e isso pode continuar pra sempre

terça-feira, 17 de maio de 2011

Aquele para o qual todos apontam o dedo

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Sim, eu tive o azar de nascer em uma família tradicional. Meus pais sempre me prepararam para que eu fosse mais um dos membros robóticos dela. O sonho deles sempre foi me ver casado, com filhos, um emprego qualquer… ou seja, que eu perpetuasse os valores de uma vida infeliz, exatamente como boa parte dos meus parentes.

Mas, veja só, eu nasci diferente. Até meus, sei lá, 18 anos, ainda tentei ser mais um desse universo: ia à igreja todos os domingos, tinha uma namorada supostamente legal, questionava pouco minha vida, a mim mesmo, aos meus valores e aos meus desejos. Mas, de uma hora pra outra, tudo mudou. E aquilo que parecia pleno e contínuo, desmoronou em poucas experiências. E esse tal de Gustavo não aceitava mais viver para ser aceito. Ele queria viver pra ser feliz.

Só que a vida real é bem diferente daquelas histórias bonitas que as pessoas contam, que a gente vê na TV ou que os filmes hollywoodianos insistem em passar como valores absolutos. A vida real é cruel, dolorida, as pessoas são más e egoístas e, por mais que você tente fazer tudo certo, você sempre vai ser tratado como aquele que faz tudo errado.

E o pior: essa sensação está acontecendo na mais intensa de todas as relações familiares: a relação mãe/ filho. E eu não sei mais o que fazer, não sei como proceder, como agir. As coisas estão fora de controle a todo momento, minha saúde reclama, minhas forças estão diminuindo radicalmente.

Não suporto mais ser aquele para o qual todos apontam o dedo.

Uma pequena parte de mim, uma pequeníssima parte da minha essência, acaba valendo pelo todo. Não pode ser assim.

domingo, 15 de maio de 2011

Sobre tudo mais na vida

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Hoje eu estou com aquela clara sensação de que é sim possível viver tranquilamente, mesmo que o mundo pareça querer desabar sobre a sua cabeça. É preciso somente manter o coração aberto, um grande sorriso no rosto e as ideias no lugar. Mais que otimismo sem sentido, esse post é, por falta de algo mais palatável, uma própria rotina de experiência do que esse que vos escreve está tentando perpetuar.

Essa semana foi complicada. Domingo e quarta eu tive alguns desentendimentos por aí, a tristeza acabou acumulando e atingindo um ponto que eu pensei que fosse praticamente impossível sair bem dessa. Segurei os sentimentos,e tudo acabou se transformando em irritação. Resultado: foram longos e mal vividos dias.

Só que, misteriosamente, quinta eu acordei disposto a fazer todos esses pensamentos ruins perderem a importância. Sempre quando algo atormentador insistia em aparecer, rapidamente eu utilizava minha própria racionalidade (ou o que eu acredito ser ela) pra contorná-los e tentar me convencer de que as coisas são mais fruto da minha mente do que qualquer outra coisa.

E não é que deu certo? Superei todas essas coisas negativas nos últimos quatro dias e ainda consegui um montão de coisas legais.

Aquela história, que eu sempre considerei patética, de que os pensamentos podem reger nossa vida, pelo jeito não é tão esdrúxula assim. Bom saber.

domingo, 8 de maio de 2011

Sim, o copo está meio vazio

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Pensei em chamar esse post de “Reflexões de um pessimista”, mas resolvi pegar mais leve, quase que por compaixão de mim mesmo.

É impressionante, mas eu simplesmente não consigo lidar bem com minhas atitudes pessimistas-destrutivas. Pra mim o copo está sempre meio vazio. Sempre.

Diz minha analista que isso tudo é resultado de um certo medo que eu tenho de me senti feliz, quase uma auto-sabotagem que vai acontecer sempre quando as coisas vão bem. Não vou dizer que isso não faz sentido, mas acho que a coisa talvez seja um pouco mais complicada: eu me deixo influenciar demais pela minha imaginação.

Não entendo psicanálise o suficiente pra entender de que forma esse processo acontece (ou se é possível, sei lá, tô confuso), mas o fato é que eu imagino as coisas com tamanho fervor que na minha cabeça elas se tornam verdades absolutas – ou potencialidades bem próximas de acontecer.

Mesmo consciente disso, acho que eu preciso, pelo menos nesse momento, tentar consertar aquilo que me machuca – ou pelo menos atenuar sofrimentos futuros.

sábado, 30 de abril de 2011

The Planets Bend Between Us

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Fazia frio, muito frio. A respiração do ar gélido parecia anestesiar os pulmões com tamanha intensidade que a simples força para inspirar merecia doses cavalares de esforço. Mas ele não se conteve. Caminhou tão rápido pela areia congelada que já conseguia sentir a água do mar tocar seus pés e enregelar cada centímetro do seu corpo.

Apressou o passo. Quando percebeu, estava longe demais para voltar. O frio batia continuamente, o vento soprava e ele sentia o ar cortá-lo como se fossem lâminas, numa insistente tentativa de impedí-lo de fazer o que quer que seja.

Então ele se ajoelhou. Olhou pro céu e pode ver as estrelas. O brilho era tamanho que lhe ofuscou os olhos e inundou a mente. Pensou naquele rosto, no quanto sonhou tê-lo por perto… e no quanto ele parecia distante agora. Então ele chorou, chorou tanto que o seu soluço sufocava cada palavra que ele tentava dizer. Cada sentimento que ele tentava sentir. Cada ação que ele pensava tomar.

Então ele acordou

Pensou rápido tudo não passou de um sonho. A dor não diminuiu e ele chorou, dessa vez perdido em meio a tanta confusão, sem saber o real motivo dos soluços que podiam ser ouvindo à distância. Então sua mente o inundou com um calor imenso e o choro agora virava um lamento.

Agora ele só queria poder voltar lá, nem que fosse em sonho, pra dizer que mesmo que cem milhões de sóis e estrelas se curvassem sobre ele, a dor de ter ficado em silêncio diminuiria.

Então ele gritou, como se quisesse convencer a si mesmo: É tudo por você. E na América se ouviu.

domingo, 24 de abril de 2011

Me & Tired Pony

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Tired-Pony-The-Place-We-Ran-From-Front-Cover-45717Sim, eu tinha ouvido falar do projeto paralelo do Gary Lightbody (do Snow Patrol) ano passado. Mas na correria do TCC, estágio e faculdade, que consumiam todo o meu tempo, acabei adiando o máximo que pude a escuta do resultado final dessa empreitada. Só agora, tempos depois, eis que paro um pouco pra ouvir - e me culpo cada segundo por não ter feito isso antes.

O projeto Tired Pony surgiu de uma necessidade que o Gary sempre confessou: trabalhar com uma pegada mais country. Ele sempre disse admirar a sonoridade, a impulsividade e o jeito intimista da música interiorana americana. Foi pra lá (mais precisamente para Portland) que ele viajou com um time de peso (Richard Colburn, Iain Archer, Jacknife Lee, Peter Buck, Scott McCaughey e Troy Stewart) para gravar The Place We Ran From, o primeiro e único álbum lançado até agora.

E cara, o resultado final é formidável. As canções possuem a mesma característica que já eram tão próprias do Snow Patrol antes – carga dramática, um apreço muito grande pela melodia e a experimentação de novos instrumentos e um caráter basicamente intimista. Essa pegada country nem é muito perceptível em todas as faixas, dando ao álbum uma sensação de familiaridade, principalmente para quem já curtia o Snow Patrol de outros tempos.

Em meio a empolgação desmedida, destaco duas faixas: The Deepest Ocean There Is e Held in the Arms of Your Words. A primeira é uma bela canção sobre o medo meio fantasmagórico que nos assola em meio a uma perda. A segunda se refere ao caráter praticamente mágico que o conforto dos braços de quem se ama pode trazer.

Ouvir um trabalho tão emocional acaba causando umas sensações meio perturbadoras, inesperadas.  É bem difícil conseguir se manter imune até o final, algumas lágrimas são inevitáveis. Da metade pro fim já me peguei olhando o céu pela janela nessa noite fria e imaginando alguém lá do outro lado. Que se eu bem sei, está de braços abertos.

You're effortless, you know you are
And all I want to do
is let you lead me off into the dusk
Our shadows kiss before we do
and right here in the dark
I revel in the calm before the storm

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Live a Bit

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46156_151912291487521_100000062542615_462670_2685372_nGustavo Assumpção, prazer.

Eu nunca soube muito bem a maneira certa de falar sobre mim. As vezes tenho medo de ser egocêntrico e longe da realidade, as vezes tenho medo de ser o falso modesto. É difícil fugir desses dois grandes grupos onde eu costumo separar as pessoas. Mas eu vou tentar assim mesmo.

Tenho 22 anos, sou jornalista, gamer, sonhador e reflexivo. Sempre me vejo como aquele que não gosta de deixar a cabeça desocupada e por isso a ocupa com tudo o que pode, com o que deve e com o que não deve. Com o que sente e com o que não deveria sentir.

Se pudesse escolher alguma coisa, gostaria de ser mais racional, de ter um pouco mais de paciência, de perceber mais cada momento. No fundo, é apenas alguém cheio de preocupações, culpas, dramas e aflições, nada muito diferente de todas as pessoas. Talvez a diferença esteja em olhar diretamente nos olhos das pessoas e deixar claro que não é um super-herói. Esse tal de Gustavo nunca teve vocação pra super-herói...

Dizem que sinto uma necessidade imensa de colocar tudo o que sinto no papel. E sempre foi assim, desde quanto eu nada sabia da vida e minha maior preocupação era simplesmente chegar em casa e salvar mais uma princesa naquele castelo de oito bits. Talvez por isso tenha me tornado jornalista. Um jornalista exageradamente preocupado e inquietado - e olha que isso não se resume as necessidades e objeções da profissão não. Me percebo inquieto com a vida. 

Inquietude que exala frustrações nesse percalço difícil e complicado que é essa tal de vida. Mas se tem algo que eu faço, é seguir andando calmamente na direção que o futuro me reserva, com um sorriso estampado no rosto, passos largos e firmes, grandes sonhos na cabeça e o coração tranquilo de quem sempre foi honesto e nunca deixou de ser ou se mostrou ser quem não é.

Vivendo um pouco de cada vez. Live a bit.