domingo, 19 de junho de 2011
Cama
Raramente perco o sono, mas agora estou aqui com os olhos esbugalhados, a expressão meio blasé e a cabeça tão cheia de pensamentos que eu só queria deitar na cama e esquecer tudo.
O que me aflinge? O medo do futuro, a sensação de estar inerte, o medo da solidão. Medos tão meus que me sentiria menos Gustavo se não tivesse cada uma deles. Complicado é quando eles suplantam todo o resto, deixando essa sensação horrível de desconforto.
Enfim, vou tentar dormir de novo. Boa noite pra vocês.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Aquele para o qual todos apontam o dedo
Sim, eu tive o azar de nascer em uma família tradicional. Meus pais sempre me prepararam para que eu fosse mais um dos membros robóticos dela. O sonho deles sempre foi me ver casado, com filhos, um emprego qualquer… ou seja, que eu perpetuasse os valores de uma vida infeliz, exatamente como boa parte dos meus parentes.
Mas, veja só, eu nasci diferente. Até meus, sei lá, 18 anos, ainda tentei ser mais um desse universo: ia à igreja todos os domingos, tinha uma namorada supostamente legal, questionava pouco minha vida, a mim mesmo, aos meus valores e aos meus desejos. Mas, de uma hora pra outra, tudo mudou. E aquilo que parecia pleno e contínuo, desmoronou em poucas experiências. E esse tal de Gustavo não aceitava mais viver para ser aceito. Ele queria viver pra ser feliz.
Só que a vida real é bem diferente daquelas histórias bonitas que as pessoas contam, que a gente vê na TV ou que os filmes hollywoodianos insistem em passar como valores absolutos. A vida real é cruel, dolorida, as pessoas são más e egoístas e, por mais que você tente fazer tudo certo, você sempre vai ser tratado como aquele que faz tudo errado.
E o pior: essa sensação está acontecendo na mais intensa de todas as relações familiares: a relação mãe/ filho. E eu não sei mais o que fazer, não sei como proceder, como agir. As coisas estão fora de controle a todo momento, minha saúde reclama, minhas forças estão diminuindo radicalmente.
Não suporto mais ser aquele para o qual todos apontam o dedo.
Uma pequena parte de mim, uma pequeníssima parte da minha essência, acaba valendo pelo todo. Não pode ser assim.
domingo, 8 de maio de 2011
Sim, o copo está meio vazio
Pensei em chamar esse post de “Reflexões de um pessimista”, mas resolvi pegar mais leve, quase que por compaixão de mim mesmo.
É impressionante, mas eu simplesmente não consigo lidar bem com minhas atitudes pessimistas-destrutivas. Pra mim o copo está sempre meio vazio. Sempre.
Diz minha analista que isso tudo é resultado de um certo medo que eu tenho de me senti feliz, quase uma auto-sabotagem que vai acontecer sempre quando as coisas vão bem. Não vou dizer que isso não faz sentido, mas acho que a coisa talvez seja um pouco mais complicada: eu me deixo influenciar demais pela minha imaginação.
Não entendo psicanálise o suficiente pra entender de que forma esse processo acontece (ou se é possível, sei lá, tô confuso), mas o fato é que eu imagino as coisas com tamanho fervor que na minha cabeça elas se tornam verdades absolutas – ou potencialidades bem próximas de acontecer.
Mesmo consciente disso, acho que eu preciso, pelo menos nesse momento, tentar consertar aquilo que me machuca – ou pelo menos atenuar sofrimentos futuros.