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sábado, 30 de abril de 2011

The Planets Bend Between Us

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Fazia frio, muito frio. A respiração do ar gélido parecia anestesiar os pulmões com tamanha intensidade que a simples força para inspirar merecia doses cavalares de esforço. Mas ele não se conteve. Caminhou tão rápido pela areia congelada que já conseguia sentir a água do mar tocar seus pés e enregelar cada centímetro do seu corpo.

Apressou o passo. Quando percebeu, estava longe demais para voltar. O frio batia continuamente, o vento soprava e ele sentia o ar cortá-lo como se fossem lâminas, numa insistente tentativa de impedí-lo de fazer o que quer que seja.

Então ele se ajoelhou. Olhou pro céu e pode ver as estrelas. O brilho era tamanho que lhe ofuscou os olhos e inundou a mente. Pensou naquele rosto, no quanto sonhou tê-lo por perto… e no quanto ele parecia distante agora. Então ele chorou, chorou tanto que o seu soluço sufocava cada palavra que ele tentava dizer. Cada sentimento que ele tentava sentir. Cada ação que ele pensava tomar.

Então ele acordou

Pensou rápido tudo não passou de um sonho. A dor não diminuiu e ele chorou, dessa vez perdido em meio a tanta confusão, sem saber o real motivo dos soluços que podiam ser ouvindo à distância. Então sua mente o inundou com um calor imenso e o choro agora virava um lamento.

Agora ele só queria poder voltar lá, nem que fosse em sonho, pra dizer que mesmo que cem milhões de sóis e estrelas se curvassem sobre ele, a dor de ter ficado em silêncio diminuiria.

Então ele gritou, como se quisesse convencer a si mesmo: É tudo por você. E na América se ouviu.

domingo, 24 de abril de 2011

Me & Tired Pony

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Tired-Pony-The-Place-We-Ran-From-Front-Cover-45717Sim, eu tinha ouvido falar do projeto paralelo do Gary Lightbody (do Snow Patrol) ano passado. Mas na correria do TCC, estágio e faculdade, que consumiam todo o meu tempo, acabei adiando o máximo que pude a escuta do resultado final dessa empreitada. Só agora, tempos depois, eis que paro um pouco pra ouvir - e me culpo cada segundo por não ter feito isso antes.

O projeto Tired Pony surgiu de uma necessidade que o Gary sempre confessou: trabalhar com uma pegada mais country. Ele sempre disse admirar a sonoridade, a impulsividade e o jeito intimista da música interiorana americana. Foi pra lá (mais precisamente para Portland) que ele viajou com um time de peso (Richard Colburn, Iain Archer, Jacknife Lee, Peter Buck, Scott McCaughey e Troy Stewart) para gravar The Place We Ran From, o primeiro e único álbum lançado até agora.

E cara, o resultado final é formidável. As canções possuem a mesma característica que já eram tão próprias do Snow Patrol antes – carga dramática, um apreço muito grande pela melodia e a experimentação de novos instrumentos e um caráter basicamente intimista. Essa pegada country nem é muito perceptível em todas as faixas, dando ao álbum uma sensação de familiaridade, principalmente para quem já curtia o Snow Patrol de outros tempos.

Em meio a empolgação desmedida, destaco duas faixas: The Deepest Ocean There Is e Held in the Arms of Your Words. A primeira é uma bela canção sobre o medo meio fantasmagórico que nos assola em meio a uma perda. A segunda se refere ao caráter praticamente mágico que o conforto dos braços de quem se ama pode trazer.

Ouvir um trabalho tão emocional acaba causando umas sensações meio perturbadoras, inesperadas.  É bem difícil conseguir se manter imune até o final, algumas lágrimas são inevitáveis. Da metade pro fim já me peguei olhando o céu pela janela nessa noite fria e imaginando alguém lá do outro lado. Que se eu bem sei, está de braços abertos.

You're effortless, you know you are
And all I want to do
is let you lead me off into the dusk
Our shadows kiss before we do
and right here in the dark
I revel in the calm before the storm