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terça-feira, 26 de julho de 2011

Sobre sonhar e escrever

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Essa noite tive um sonho daqueles que me deixaram meio confuso. Sonhei, depois de anos, com minha vó Francisca, falecida em 1996, quando eu tinha míseros sete anos de idade. No sonho, ela, com aquele jeito calmo e faceiro que eu guardo na memória, me disse algumas palavras:

"Você tem que escrever sobre a inconstância do universo, meu filho. E tem que falar sobre a complexidade da vida. Não dá pra escrever sobre joguinhos pra sempre"

Acordei com essas palavras martelando na minha cabeça. Como pode uma mensagem tão clara e com tamanho sentido sendo proferida assim? Não entendo muito de psicanálise, mas estaria eu me culpado por aquilo que faço de melhor? Essa mente da gente é tão complexa e reserva tantas surpresas que eu não duvido de nada.

Só queria a vó Francisca aqui pra me explicar tudo isso.

domingo, 19 de junho de 2011

Cama

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Tentei dormir mais cedo hoje, pra tentar acordar bem disposto amanhã e ter um dia produtivo. Mas aí encostei a cabeça no travesseiro e comecei a pensar em tudo aquilo que anda me incomodando mais que o normal. Resultado: perdi completamente o sono e voltei pra frente do computador.

Raramente perco o sono, mas agora estou aqui com os olhos esbugalhados, a expressão meio blasé e a cabeça tão cheia de pensamentos que eu só queria deitar na cama e esquecer tudo.

O que me aflinge? O medo do futuro, a sensação de estar inerte, o medo da solidão. Medos tão meus que me sentiria menos Gustavo se não tivesse cada uma deles. Complicado é quando eles suplantam todo o resto, deixando essa sensação horrível de desconforto.

Enfim, vou tentar dormir de novo. Boa noite pra vocês.

domingo, 5 de junho de 2011

Será que sorte virá num realejo?*

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Estou naqueles dias onde você espera que algo aconteça, algo que possam mudar a direção das coisas e te fazer mais feliz. Eu não tô exatamente infeliz, não é isso. Eu só acho que preciso viver de forma mais plena. Preciso respirar novos ares, enfrentar novos desafios, criar novos projetos.

Mas ao mesmo tempo, eu quero é que as coisas aconteçam de uma forma meio automática e que eu não precise muito buscá-las. Não ando com muito ânimo pra isso.

*Sim, a inspiração foi a música do Teatro Mágico

domingo, 15 de maio de 2011

Sobre tudo mais na vida

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Hoje eu estou com aquela clara sensação de que é sim possível viver tranquilamente, mesmo que o mundo pareça querer desabar sobre a sua cabeça. É preciso somente manter o coração aberto, um grande sorriso no rosto e as ideias no lugar. Mais que otimismo sem sentido, esse post é, por falta de algo mais palatável, uma própria rotina de experiência do que esse que vos escreve está tentando perpetuar.

Essa semana foi complicada. Domingo e quarta eu tive alguns desentendimentos por aí, a tristeza acabou acumulando e atingindo um ponto que eu pensei que fosse praticamente impossível sair bem dessa. Segurei os sentimentos,e tudo acabou se transformando em irritação. Resultado: foram longos e mal vividos dias.

Só que, misteriosamente, quinta eu acordei disposto a fazer todos esses pensamentos ruins perderem a importância. Sempre quando algo atormentador insistia em aparecer, rapidamente eu utilizava minha própria racionalidade (ou o que eu acredito ser ela) pra contorná-los e tentar me convencer de que as coisas são mais fruto da minha mente do que qualquer outra coisa.

E não é que deu certo? Superei todas essas coisas negativas nos últimos quatro dias e ainda consegui um montão de coisas legais.

Aquela história, que eu sempre considerei patética, de que os pensamentos podem reger nossa vida, pelo jeito não é tão esdrúxula assim. Bom saber.

sábado, 30 de abril de 2011

The Planets Bend Between Us

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Fazia frio, muito frio. A respiração do ar gélido parecia anestesiar os pulmões com tamanha intensidade que a simples força para inspirar merecia doses cavalares de esforço. Mas ele não se conteve. Caminhou tão rápido pela areia congelada que já conseguia sentir a água do mar tocar seus pés e enregelar cada centímetro do seu corpo.

Apressou o passo. Quando percebeu, estava longe demais para voltar. O frio batia continuamente, o vento soprava e ele sentia o ar cortá-lo como se fossem lâminas, numa insistente tentativa de impedí-lo de fazer o que quer que seja.

Então ele se ajoelhou. Olhou pro céu e pode ver as estrelas. O brilho era tamanho que lhe ofuscou os olhos e inundou a mente. Pensou naquele rosto, no quanto sonhou tê-lo por perto… e no quanto ele parecia distante agora. Então ele chorou, chorou tanto que o seu soluço sufocava cada palavra que ele tentava dizer. Cada sentimento que ele tentava sentir. Cada ação que ele pensava tomar.

Então ele acordou

Pensou rápido tudo não passou de um sonho. A dor não diminuiu e ele chorou, dessa vez perdido em meio a tanta confusão, sem saber o real motivo dos soluços que podiam ser ouvindo à distância. Então sua mente o inundou com um calor imenso e o choro agora virava um lamento.

Agora ele só queria poder voltar lá, nem que fosse em sonho, pra dizer que mesmo que cem milhões de sóis e estrelas se curvassem sobre ele, a dor de ter ficado em silêncio diminuiria.

Então ele gritou, como se quisesse convencer a si mesmo: É tudo por você. E na América se ouviu.

domingo, 24 de abril de 2011

Me & Tired Pony

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Tired-Pony-The-Place-We-Ran-From-Front-Cover-45717Sim, eu tinha ouvido falar do projeto paralelo do Gary Lightbody (do Snow Patrol) ano passado. Mas na correria do TCC, estágio e faculdade, que consumiam todo o meu tempo, acabei adiando o máximo que pude a escuta do resultado final dessa empreitada. Só agora, tempos depois, eis que paro um pouco pra ouvir - e me culpo cada segundo por não ter feito isso antes.

O projeto Tired Pony surgiu de uma necessidade que o Gary sempre confessou: trabalhar com uma pegada mais country. Ele sempre disse admirar a sonoridade, a impulsividade e o jeito intimista da música interiorana americana. Foi pra lá (mais precisamente para Portland) que ele viajou com um time de peso (Richard Colburn, Iain Archer, Jacknife Lee, Peter Buck, Scott McCaughey e Troy Stewart) para gravar The Place We Ran From, o primeiro e único álbum lançado até agora.

E cara, o resultado final é formidável. As canções possuem a mesma característica que já eram tão próprias do Snow Patrol antes – carga dramática, um apreço muito grande pela melodia e a experimentação de novos instrumentos e um caráter basicamente intimista. Essa pegada country nem é muito perceptível em todas as faixas, dando ao álbum uma sensação de familiaridade, principalmente para quem já curtia o Snow Patrol de outros tempos.

Em meio a empolgação desmedida, destaco duas faixas: The Deepest Ocean There Is e Held in the Arms of Your Words. A primeira é uma bela canção sobre o medo meio fantasmagórico que nos assola em meio a uma perda. A segunda se refere ao caráter praticamente mágico que o conforto dos braços de quem se ama pode trazer.

Ouvir um trabalho tão emocional acaba causando umas sensações meio perturbadoras, inesperadas.  É bem difícil conseguir se manter imune até o final, algumas lágrimas são inevitáveis. Da metade pro fim já me peguei olhando o céu pela janela nessa noite fria e imaginando alguém lá do outro lado. Que se eu bem sei, está de braços abertos.

You're effortless, you know you are
And all I want to do
is let you lead me off into the dusk
Our shadows kiss before we do
and right here in the dark
I revel in the calm before the storm

sábado, 16 de abril de 2011

Devaneio sobre a liquidez das relações

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“Fixar-se ao solo não é tão importante se o solo pode ser alcançado e abandonado à vontade, imediatamente ou em pouquíssimo tempo. Por um outro lado, fixar-se muito fortemente, sobrecarregando os laços com compromissos mutuamente vinculantes, pode ser potencialmente prejudicial, dadas as novas oportunidades que surgem em outros lugares” (Zygmund Bauman em Modernidade Líquida)

O pessimismo, a descrença nas relações pessoais e a volatilidade do mundo acabam afastando muita gente dos textos do polônes Zygmund Bauman. Eu mesmo, do alto da minha ignorância teórica, nunca teci grandes admirações sobre o autor. Mas, recentemente, tive acesso ao Modernidade Líquida que é considerada uma das obras mais importantes do teórico, e um daqueles estudos que procura  entender os mecanismos que envolvem as relações do cidadão na sociedade dita pós-moderna (ou qualquer outra nomenclatura que você deseja inserir aqui).

O trecho lá em cima chama a atenção pra um desses mecanismos, que foi o que acabou instigando o meu pensamento nos últimos dias. É triste, mas é cada vez mais impossível não perceber que criar laços é tender ao fracasso. Se sentir bem no seu lugar, convivendo no mesmo círculo de amizades e exercendo diariamente as mesmas funções sociais parece, aos olhos da ordem social atual, resultar em um ser que perde oportunidades.

Se a propriedade que para Bauman melhor exemplifica a vida atual é a liquidez, seria então essencial adotar um estilo de vida cada vez menos fixo, relações mais voláteis e mais adaptáveis e processos sentimentais menos recorrentes? Será que é preciso estar sempre preparado para a hora de largar tudo e arriscar? Para alguém que sempre tentou criar o máximo de relações duradouras possíveis, isso é meio enlouquecedor.

As vezes eu acabo pensando que o melhor seria poder ser adaptável. Largar tudo e ir por aí pode nos revelar um novo mundo. Novo mundo que, possivelmente, não será mais fácil (ou melhor) que o velho que você deixou para trás, mas um mundo que pode trazer uma quantidade de experimentações e experiências que a segurança da vida “cotidiana” parece incapaz.

É lógico que Bauman estava se referindo a processos mais amplos, mas será mesmo que não dá pra realizar relações entre suas afirmações e os aspectos mais simples e essenciais da vida diária individual atual? Creio que sim.

“Qualquer rede densa de laços sociais, e em particular uma que esteja territorialmente enraizada, é um obstáculo a ser eliminado”.