segunda-feira, 25 de junho de 2012

Be brave!

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Tem alguns momentos em que a gente se sente tão sem rumo, que é difícil não torcer dia após dia para que algo mágico aconteça e mude a direção de todas as certezas. Porque lá no fundo a gente bem sabe que não são certezas tão absolutas assim. E a gente torce pra mudar porque de alguma forma sabe que vai mudar.

E aí a possibilidade de mudança surge. E a gente fica meio incrédulo, principalmente porque esta é a reação-padrão sempre quando algo bacana acontece. Auto-sabotagem, sabe?

Em três dias, incertezas foram se tornando certezas. Curiosidades se tornaram fatos que se tornaram admirações. E a tal conexão se amplia, dando cor e sabor a vida - tão constante quanto as ligações neurais tornam a vida sensível. E eu fico com medo e penso: "que tamanho isso pode tomar?"

Hoje eu acho que o tamanho não mais importa, assim como não importa o caminho, a estrada, o destino. Não importa o que virá, o que pode vir, o que vai ser. Só importa o que está acontecendo agora. Só importa o resto de tudo e o que eu tiro desse todo. E é tanta coisa...

Me sinto encorajado e feliz para sair por aí de cabeça erguida desbravando você. 

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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sobre escolhas e atitudes erradas

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A gente nunca acha que está errando até alguém dizer que errou. Talvez essa seja a máxima dos relacionamentos que terminam inesperadamente.  Tudo que é inesperado assusta. E assusta mais ainda quando a gente precisa lidar com a ideia do inexistente.

Geralmente a gente faz muitos planos quando está com alguém. Pode ser coisa pequena, como ir a um show na sexta-feira ou então cozinhar aquela pizza de pão de queijo no próximo feriado prolongado. Outras vezes a megalomania é tamanha que a gente planeja coisas maiores, como unir a vida de vez, mesmo que essa ideia seja assustadora aos 23 anos de idade.

Só que aí vem a crise. O momento em que as coisas se perdem e o castelo desmorona. A confiança deixa de existir, o incômodo aparece, o coração aperta. Fica difícil perceber pra onde ir, o que fazer, como agir. Fica difícil pensar.

Talvez o grande segredo dos relacionamentos duradouros seja o altruísmo. Pensar no outro todo o momento, a cada ação que será tomada. Mas será mesmo que ele precisa largar tudo e vir comigo até aqui? Amar não exige provas, motivações, satisfações. Se essas atitudes se tornam necessárias, talvez seja a hora de repensar a relação como um todo.

Mas aí entra um momento importante. Até que ponto podemos separar sentimento e relação? Eu posso gostar de você e a nossa relação ser um fracasso. Mas, será que sentimento basta? Será que o simples fato de amá-lo consegue nos prender por anos? Será que precisamos ficar presos por um sentimento? Não é melhor uma relação libertadora, onde compartilhar é o verbo mais conjugado? E se a gente viveu tudo isso mas está se forçando a pensar que não viveu?

A gente é egoísta por natureza e precisa lutar contra isso todo dia. Pedir pra ficar com o último copo de suco de laranja do café da manhã demonstra que a gente sempre está disputando espaço, seja ele simbólico ou real. E é normal que a gente queira fugir quando nos sentimos acuados. Os instintos são esses. Precisamos salvar aquilo que somos (ou o que ainda restou).

Depois que tudo acaba, as horas de reflexões de nada adiantam. A grosseria da quinta-feira pela manhã ou a discussão exagerada do sábado a tarde não vão ser apagadas. O que foi dito, proposto, feito, não vai voltar atrás. A traição consumada, a raiva adquirida, a grosseria gratuita, nada disso vai desaparecer. As coisas chegam ao limite porque acumulam. E, mais que isso, nos atingem porque não soubemos eliminá-las aos poucos.

Aí chega o momento final da história. Vale a pena continuar lutando só porque existe sentimento? É natural que no início da crise, aquilo que se sente seja sobreposto por aquilo que está mais vívido no momento. O que era amor se torna ódio. O que antes era carinho se torna desprezo. Só que essa proteção uma hora cai. E pode ser tarde demais. Tudo pode ter se perdido pra sempre.

Sempre tem muita coisa em jogo. A gente sempre sai melhor depois de uma crise. A gente sempre sabe onde não errar novamente. Não que isso garanta sucesso, longe disso. Mas isso é base para um novo acordo, que pode dar início a novos momentos incríveis.

A gente erra, mas sempre aprende a acertar. E da próxima vez, vai ser melhor. Sempre vai.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

E Roberta Sá vem chegando de mansinho

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imageRoberta Sá, como você me surpreende! É impressionante como a cada novo trabalho essa doce menina se reinventa de uma maneira que consegue surpreender todo mundo. Depois de uma elogiadíssima parceria com o Trio Madeira, que rendeu CD "Quando o Canto É Reza", a cantora se prepara para o lançamento do seu novo trabalho.

Pavilhão de Espelhos é a primeira música divulgada do novo CD que a cantora potiguar lança em janeiro sob o selo Natura Musical. Apesar do trabalho ainda ser um completo mistério, a nova música já tem clipe que pode ser conferido no vídeo abaixo:

sábado, 12 de novembro de 2011

Uma tarde com Jeneci

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IMG_20111105_182821Sábado passado (05/11), tive uma daquelas oportunidades que o acaso coloca na vida da gente sem muitos motivos aparentes. Estava em Curitiba por um motivo qualquer e descobri que Marcelo Jeneci seria um dos convidados para a Corrente Cultural (uma espécie de Virada Cultural curitibana). Depois de tanto ouvir o Feito para acabar (primeiro álbum do Jeneci, lançado ano passado), tive que dar uma passadinha lá e conferir qual era a do show.

O sol ainda iluminava a praça em frente ao Paço da Liberdade quando Jeneci começou a entoar os primeiros versos. O público tímido, rapidamente foi se juntando próximo ao palco. Minutos depois já era possível ver os primeiros pezinhos se mexendo, as primeiras palminhas acompanhando os acordes das músicas e os elogios ao talento de Jeneci ecoavam entre uma música e outra.

É impressionante como o paulista (com sangue pernambucano fervendo na veia, diga-se de passagem) consegue transformar o ambiente com suas músicas – que vão desde as canções de amor melosas até as composições intimistas executadas solitariamente na companhia de seu piano. E ele deu show: além do piano, tocou acordeão e guitarra. Acompanhado de sua parceira Laura Lavieri, cuja voz doce e melódica encaixa perfeitamente com o estilo mais rústico da voz de Jeneci, jogou um turbilhão de emoções diferentes para a plateia, que acompanhava com um sorriso no rosto.

E assim o público cantou . Vibrou com Show de Estrelas, se encantou com a emotividade de Feito para acabar e se emocionou com Por que nós?, talvez uma das melhores canções dos últimos anos. Mas me arrisco a dizer que foi quando os primeiros versos de Borboleta começaram a ser ouvidos que o público se rendeu e acompanhou com entusiasmo. Um dos momentos mais legais que já vi em um show nessa minha curta vida. Foi difícil não se soltar, cantar. Lágrimas escorrendo pelo rosto foram inevitáveis.

“Música é que nem borboleta
Ela voa pra onde quer
Ela pousa em quem quiser
Não é homem e nem mulher
Música que sai da gaveta
Se traveste na voz de alguém
Quando entra dentro da cabeça
Não é sua nem de ninguém
”

Me arrisco a dizer que nem toda música é que nem borboleta. Mas a sua Jeneci, ah, a sua é borboleta sim. E daquelas multicor que encantam a gente só de ver voando ao longe.

sábado, 29 de outubro de 2011

Sobre sentimentos e narizes torcidos

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As vezes eu sinto que algumas (talvez muitas) pessoas torçam o nariz vez ou outra quando sou, digamos assim, um pouco mais transparente do que deveria. Sempre carreguei comigo essa marca: nunca consegui deixar de dizer por aí aquilo que sinto ou o que percebo sobre a vida alheia. Não vejo isso como algo exagerado ou prejudicial, vejo como uma característica muito arraigada à minha personalidade.

Sei lá, as vezes até parece que sensibilidade virou defeito e que estar imune a tudo o que acontece ao redor é a fórmula perfeita para ser bem aceito. Não se importar parece pré requisito para popularidade, boas relações e relevância. Sentimentalizar qualquer esfera da vida cotidiana parece merecer meia dúzia de narizes torcidos ou alguns segundos de vaias incessantes.

As vezes eu queria entender porque é fraco quem chora, porque é ridículo quem diz que ama, porque é bobo quem confessa que alguém é importante pra sua vida. Por que será que é difícil entender que quando se amplia o espectro das relações, mais e mais vem junto? Vem mais carinho, mais compreensão, mais zelo. Vem junto também um bocado de respeito e uma grande quantidade de admiração.

Eu admiro quem sabe aquilo que sente (ou que nem sabe tanto assim, mas pelo menos arrisca dizer que sabe).

Também admiro aquele que só diz o que sente quando acumula coragem suficiente pra romper a barreira da vaidade e confessar, entre um abraço e outro, que você faz um bem danado.

Nada de borboletas no estômago ou de corações acelerados depois de grandes juras de amor. O mais legal é quando você ouve, assim sem querer, que você é importante e que ainda dá pra fazer um monte de coisas juntos.

Um monte de coisas embebidas em sentimentos que podem até ser bobos para alguns, mas pra mim são uma das coisas mais importantes dessa vida.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Charlie Brown, dia das crianças e a estética da melancolia

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Lucy: Olhe de outra maneira, Charlie Brown, nós aprendemos muito mais das falhas do que das vitórias.
Charlie Brown: Isto me faz a pessoa mais esperta do mundo.

snoopy-2Amanhã é dia das crianças. É engraçado pensar que, sei lá, dez anos atrás, eu só queria que o dia 11 passasse bem rápido pra poder saber qual seria o meu presente no dia seguinte. Hoje, olhando lá pra metade dos anos 90, é impossível não sentir aquela horrível sensação de saudosismo que chega a apertar a garganta. Tudo parece tão mais fácil quando se ainda é criança, ainda mais depois que você cresce. Quando se é pequeno, o mundo parece muito menos complexo, a vida parece menos exigente e as obrigações são menos sufocantes. A gente vive muito mais e se preocupa muito menos.

Junto com esse punhado de lembranças, veio também uma memória extremamente nítida. Dessa eu lembro bem: outubro de 1996, quando eu tinha apenas sete anos. Uma tia minha, daquelas que só aparecia em datas comemorativas, me presentou com um VHS que tinha dois ou três episódios de Snoopy, aquela adaptação dos quadrinhos do Schulz para o mundo da animação. Cara, eu devo ter visto aquilo umas cinquenta, cem vezes.

Não consigo lembrar muito bem o que me cativou, mas acho que foi a estética simples, o traço característico, a sobriedade e, não tem como não citar, a melancolia. É bem possível que na época eu não tenha percebido por quais motivos eu gostava tanto de Charlie Brown, até porque quando se é criança não há necessidade alguma de encontrar motivos para os nossos gostos. Isso é coisa de adulto.

Depois dessas lembranças – Gustavo, sentado no sofá vermelho da sala de casa (aquele que tinha uma manta xadrez jogado por cima pra esconder os rabiscos de canetinha que eu tinha feito num dia qualquer) com os olhos fixos na TV, um copo de leite com bastante Nescau entre as mãos. Só levantava de lá pra rebobinar a fita e ver tudo de novo. E de novo. E de novo. Charlie Brown me fascinava, me inspirava, me encantava. Eu era Charlie Brown.

Hoje, vejo que essa identificação dizia muito de quem eu era: um garoto melancólico, triste, fracassado. Pode ser que eu não tenha sido nada disso, mas é mais ou menos assim que eu me sentia. Afinal, a gente é o que outros dizem que somou ou o que a gente sente que é?

Me peguei preso a uma questão torturante: será que Charlie Brown me deixou melancólico ou eu é que gostei tanto assim do desenho por já ser melancólico? Talvez eu nunca vá saber.

O que eu sei hoje é que eu queria poder comemorar o dia das crianças de novo.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O negro lá na África era um Rei

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Sobre aquele relativismo histórico que tanto aflige quem tem o mínimo de bom senso? Pois então, deixo esse samba da Tradição, uma composição fantástica de João Nogueira. “O negro lá na África era um Rei”, como bem diz essa pequena obra-prima, mostra que muitas vezes os donos da hegemonia mudam a ótica da história pra fazer valer a voz da força contra a voz da razão.

Um dia chegou o branco invasor
De armas nas mãos, brutais e cruéis
Sangue pelo chão, correntes nos pés
Vinham das galés, lamentos de dor
Mas da escravidão surgiu Zumbi que foi o rei libertador
O tempo passou
E a raça no Brasil tem uma nova cor
O samba vingou
E o negro no Brasil tornou-se o Rei Nagô