As vezes eu sinto que algumas (talvez muitas) pessoas torçam o nariz vez ou outra quando sou, digamos assim, um pouco mais transparente do que deveria. Sempre carreguei comigo essa marca: nunca consegui deixar de dizer por aí aquilo que sinto ou o que percebo sobre a vida alheia. Não vejo isso como algo exagerado ou prejudicial, vejo como uma característica muito arraigada à minha personalidade.
Sei lá, as vezes até parece que sensibilidade virou defeito e que estar imune a tudo o que acontece ao redor é a fórmula perfeita para ser bem aceito. Não se importar parece pré requisito para popularidade, boas relações e relevância. Sentimentalizar qualquer esfera da vida cotidiana parece merecer meia dúzia de narizes torcidos ou alguns segundos de vaias incessantes.
As vezes eu queria entender porque é fraco quem chora, porque é ridículo quem diz que ama, porque é bobo quem confessa que alguém é importante pra sua vida. Por que será que é difícil entender que quando se amplia o espectro das relações, mais e mais vem junto? Vem mais carinho, mais compreensão, mais zelo. Vem junto também um bocado de respeito e uma grande quantidade de admiração.
Eu admiro quem sabe aquilo que sente (ou que nem sabe tanto assim, mas pelo menos arrisca dizer que sabe).
Também admiro aquele que só diz o que sente quando acumula coragem suficiente pra romper a barreira da vaidade e confessar, entre um abraço e outro, que você faz um bem danado.
Nada de borboletas no estômago ou de corações acelerados depois de grandes juras de amor. O mais legal é quando você ouve, assim sem querer, que você é importante e que ainda dá pra fazer um monte de coisas juntos.
Um monte de coisas embebidas em sentimentos que podem até ser bobos para alguns, mas pra mim são uma das coisas mais importantes dessa vida.