Perdido em meio a uma quantidade absurda de coisas inadiáveis pra fazer nesse final de semana, acabei procrastinando ao máximo e só agora estou escrevendo minha (pequena) análise do Season Finale da sétima temporada de Grey’s Anatomy. É incrível, nos últimos cinco anos nenhuma série conseguiu sequer ter uma fração significativa da importância que ela tem na minha vida. Nada mexe comigo assim, nada me faz tão bem (e tão mal ao mesmo tempo) e nada consegue colocar essa cabeça tanto pra pensar. Enfim, esse post não é sobre minha relação pessoal com a série, então chega de falatório e vamos em frente nos comentários sobre o Unaccompanied Minor, que foi ao ar na última quinta-feira.
E então, como foi?
Primeiro, não tem como não elogiar o ritmo que o episódio teve, no nível dos melhores que a série já viu. Muita coisa acontecendo, muitas histórias se desenhando, muitas lições de vida e muita coisa pra pensar. Difícil deixar a cabeça no lugar e não pensar sobre cada um dos dramas mostrados no episódio, que deram um gancho inicial para a próxima temporada que não poderia ser melhor.
Achei fantástico, logo no início, Meredith voltando a ser Mer. Incompreensiva e radical, inconstante e misteriosa, fechada e amedrontada. Aquela Mer que é capaz de enfrentar brigas com quem quer que seja para poder levar adiante o que acha que é necessário – e que parecia completamente anulada desde o casamento com Derek. Meredith voltou a lutar pelo seus instintos e a acreditar naquilo que acha que deve ser o certo, mesmo que coloque em risco todos aqueles que ela ama.
Outra que deixou os medos de lado e assumiu novamente quem verdadeiramente é, foi Cristina. Numa discurso político (e porque não dizer, ousado), ela assumiu que não quer ser mãe, simplesmente porque existe uma incompatibilidade pessoal entre ela e a maternidade. Yang teve uma postura coerente com as ações da personagem ao longo dessas sete temporadas, onde ela nunca foi forçada a fazer aquilo que não gosta, mesmo que para isso tivesse que abrir mão de coisas importantes – que parecem perder toda essa “importância” quando é a individualidade dela está em jogo.
O fim do casamento com Owen (que acredito que tenha sido temporário) só evidencia mais a incapacidade de Yang de aceitar que na vida é preciso fazer concessões para agradas aos outros, ainda mais quando estamos em um relacionamento afetivo. Viver à dois é dividir, abrir mão e, consequentemente, se enfraquecer.
Achei bem interessante a história principal do episódio – a queda do avião – e a escolha de Kepner para o cargo de residente chefe. Com os concorrentes saindo por seus próprios erros do caminho, a novata e carismática April pode crescer na oitava temporada, algo que eu espero há tempos.
Se o final da sexta temporada foi dramático e exagerado, o final da sétima foi um encerramento parcial de uma série de ciclos que pareciam prender os personagens às suas histórias. Meredith agora não tem mais o casamento perfeito (muito pelo contrário), Yang redescobriu que o mais importante pra ela parece ser manter a coerência de suas ações com seus sentimentos e vontades (mesmo que isso machuque os que estão a sua volta), Alex parece ter percebido que tem vocação para ser mau caráter (e não há caminho pra fugir disso) e Sloan teve a nítida sensação de que perdeu seu amor pra sempre, simplesmente porque o destino caminhou nesse sentido.
Nas cenas finais, ainda foi difícil engolir o choro em meio ao discurso de Mer sobre a dependência que a gente cria do quando ama. Sim, todos nós temos medo de amar simplesmente porque temos medo de nos tornarmos dependentes – e, mais que isso, temos medo que o outro se torne essencial demais na nossa vida. E se você moldar sua vida em torno dele e então... ele acaba?
O medo da maternidade, o medo da solidão e o medo de ficar só pra sempre parece pequeno perto do medo de amar. Perder um amor é como perder um órgão, é como morrer. A única diferença é que a morte termina e isso pode continuar pra sempre. Meredith vivem uma temporada praticamente inteira de um amor que parecia incondicional. E agora que ele está abalado, fica a dúvida para a oitava temporada: consegue ela viver sem Derek?
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