Em 2012, a Unidos da Tijuca homenageia Luiz Gonzaga, o eterno Rei do Baião em seu enredo “O dia em que toda a realeza desembarcou na Avenida para coroar o Rei Luiz do Sertão”. Depois de desfiles recheados de estrangeirismos, a escola aposta em um tema tradicional e tipicamente brasileiro. Será um grande desafio para o carnavalesco Paulo Barros, conhecido por sua estética pós-moderna e vanguardista.
Mas, deixemos o desfile em si para fevereiro. Agora é a época em que a escola realiza a disputas para a escolha do seu samba enredo – o processo todo começa com a apresentação dos sambas, nesse sábado (20).
Como não poderia deixar de ser, já tenho o meu favorito: nenhum deles é tão bom quanto a obra abaixo, de autoria de Sérgio Alan, Zezinho Professor, Robertinho do Verdun e Fernando Moreira, figurinhas carimbadas da ala de compositores da escola e que esse ano entregaram uma obra tocante, emocionante e, não tem como não dizer, extremamente inspirada.
De maneira muito poética e fugindo dos chavões costumeiros dos enredos nordestinos, o que se vê é uma obra madura e ao mesmo tempo complexa – motivada principalmente pela melodia valente e tocante dos dois refrões. Vale a pena “perder” uns minutinhos e perceber no samba todos os momentos incríveis da jornada do Lua, que enfrentou a seca e venceu no Rio de Janeiro, onde foi coroado “Rei do Baião”.
Expressão de um povo, como bem diz o samba, pelo Brasil, todo mundo escuta sua canção… e o Gonzaga da sanfona vira o Rei do meu Sertão!
Aperte o fole a festa vai começar
Tijuca vem coroar o Rei Luiz
A realeza é convidada a viajar
Sua vida é andar por esse país
Vem ver a banca no mercado popular
Quem quer? De tudo tem aqui para comprar
Seca é a saga nordestina
Sertanejo é um forte nessa vida severina
No lombo do burro, segue seu destino
O barro vira arte pelas mãos de Vitalino.
Na fé do romeiro seguir
A “meu Padim Ciço” pedir
Saúde paz e proteção
Meu canto é oração
Nas águas do velho Chico rumando pro sul
Carranca no barco balança, “em riba”, um céu azul
A chuva não vem, resseca o chão
A terra arde igual fogueira de São João
Canta, dança...folclore do nordeste
E bate uma saudade “da peste”
No rádio e na televisão, chapéu de couro e gibão
Pelo Brasil, todo mundo escuta sua canção
E o Gonzaga da sanfona vira o Rei do meu Sertão
Na “Pura Cadência” batendo zabumba
Arrasta a sandália, levanta a poeira do chão
“Lua” é o rei no centenário
Hoje o samba vai virar baião
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