Sábado passado (05/11), tive uma daquelas oportunidades que o acaso coloca na vida da gente sem muitos motivos aparentes. Estava em Curitiba por um motivo qualquer e descobri que Marcelo Jeneci seria um dos convidados para a Corrente Cultural (uma espécie de Virada Cultural curitibana). Depois de tanto ouvir o Feito para acabar (primeiro álbum do Jeneci, lançado ano passado), tive que dar uma passadinha lá e conferir qual era a do show.
O sol ainda iluminava a praça em frente ao Paço da Liberdade quando Jeneci começou a entoar os primeiros versos. O público tímido, rapidamente foi se juntando próximo ao palco. Minutos depois já era possível ver os primeiros pezinhos se mexendo, as primeiras palminhas acompanhando os acordes das músicas e os elogios ao talento de Jeneci ecoavam entre uma música e outra.
É impressionante como o paulista (com sangue pernambucano fervendo na veia, diga-se de passagem) consegue transformar o ambiente com suas músicas – que vão desde as canções de amor melosas até as composições intimistas executadas solitariamente na companhia de seu piano. E ele deu show: além do piano, tocou acordeão e guitarra. Acompanhado de sua parceira Laura Lavieri, cuja voz doce e melódica encaixa perfeitamente com o estilo mais rústico da voz de Jeneci, jogou um turbilhão de emoções diferentes para a plateia, que acompanhava com um sorriso no rosto.
E assim o público cantou . Vibrou com Show de Estrelas, se encantou com a emotividade de Feito para acabar e se emocionou com Por que nós?, talvez uma das melhores canções dos últimos anos. Mas me arrisco a dizer que foi quando os primeiros versos de Borboleta começaram a ser ouvidos que o público se rendeu e acompanhou com entusiasmo. Um dos momentos mais legais que já vi em um show nessa minha curta vida. Foi difícil não se soltar, cantar. Lágrimas escorrendo pelo rosto foram inevitáveis.
“Música é que nem borboleta
Ela voa pra onde quer
Ela pousa em quem quiser
Não é homem e nem mulher
Música que sai da gaveta
Se traveste na voz de alguém
Quando entra dentro da cabeça
Não é sua nem de ninguém”
Me arrisco a dizer que nem toda música é que nem borboleta. Mas a sua Jeneci, ah, a sua é borboleta sim. E daquelas multicor que encantam a gente só de ver voando ao longe.
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