segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sobre escolhas e atitudes erradas


A gente nunca acha que está errando até alguém dizer que errou. Talvez essa seja a máxima dos relacionamentos que terminam inesperadamente.  Tudo que é inesperado assusta. E assusta mais ainda quando a gente precisa lidar com a ideia do inexistente.

Geralmente a gente faz muitos planos quando está com alguém. Pode ser coisa pequena, como ir a um show na sexta-feira ou então cozinhar aquela pizza de pão de queijo no próximo feriado prolongado. Outras vezes a megalomania é tamanha que a gente planeja coisas maiores, como unir a vida de vez, mesmo que essa ideia seja assustadora aos 23 anos de idade.

Só que aí vem a crise. O momento em que as coisas se perdem e o castelo desmorona. A confiança deixa de existir, o incômodo aparece, o coração aperta. Fica difícil perceber pra onde ir, o que fazer, como agir. Fica difícil pensar.

Talvez o grande segredo dos relacionamentos duradouros seja o altruísmo. Pensar no outro todo o momento, a cada ação que será tomada. Mas será mesmo que ele precisa largar tudo e vir comigo até aqui? Amar não exige provas, motivações, satisfações. Se essas atitudes se tornam necessárias, talvez seja a hora de repensar a relação como um todo.

Mas aí entra um momento importante. Até que ponto podemos separar sentimento e relação? Eu posso gostar de você e a nossa relação ser um fracasso. Mas, será que sentimento basta? Será que o simples fato de amá-lo consegue nos prender por anos? Será que precisamos ficar presos por um sentimento? Não é melhor uma relação libertadora, onde compartilhar é o verbo mais conjugado? E se a gente viveu tudo isso mas está se forçando a pensar que não viveu?

A gente é egoísta por natureza e precisa lutar contra isso todo dia. Pedir pra ficar com o último copo de suco de laranja do café da manhã demonstra que a gente sempre está disputando espaço, seja ele simbólico ou real. E é normal que a gente queira fugir quando nos sentimos acuados. Os instintos são esses. Precisamos salvar aquilo que somos (ou o que ainda restou).

Depois que tudo acaba, as horas de reflexões de nada adiantam. A grosseria da quinta-feira pela manhã ou a discussão exagerada do sábado a tarde não vão ser apagadas. O que foi dito, proposto, feito, não vai voltar atrás. A traição consumada, a raiva adquirida, a grosseria gratuita, nada disso vai desaparecer. As coisas chegam ao limite porque acumulam. E, mais que isso, nos atingem porque não soubemos eliminá-las aos poucos.

Aí chega o momento final da história. Vale a pena continuar lutando só porque existe sentimento? É natural que no início da crise, aquilo que se sente seja sobreposto por aquilo que está mais vívido no momento. O que era amor se torna ódio. O que antes era carinho se torna desprezo. Só que essa proteção uma hora cai. E pode ser tarde demais. Tudo pode ter se perdido pra sempre.

Sempre tem muita coisa em jogo. A gente sempre sai melhor depois de uma crise. A gente sempre sabe onde não errar novamente. Não que isso garanta sucesso, longe disso. Mas isso é base para um novo acordo, que pode dar início a novos momentos incríveis.

A gente erra, mas sempre aprende a acertar. E da próxima vez, vai ser melhor. Sempre vai.

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