Fazia frio, muito frio. A respiração do ar gélido parecia anestesiar os pulmões com tamanha intensidade que a simples força para inspirar merecia doses cavalares de esforço. Mas ele não se conteve. Caminhou tão rápido pela areia congelada que já conseguia sentir a água do mar tocar seus pés e enregelar cada centímetro do seu corpo.
Apressou o passo. Quando percebeu, estava longe demais para voltar. O frio batia continuamente, o vento soprava e ele sentia o ar cortá-lo como se fossem lâminas, numa insistente tentativa de impedí-lo de fazer o que quer que seja.
Então ele se ajoelhou. Olhou pro céu e pode ver as estrelas. O brilho era tamanho que lhe ofuscou os olhos e inundou a mente. Pensou naquele rosto, no quanto sonhou tê-lo por perto… e no quanto ele parecia distante agora. Então ele chorou, chorou tanto que o seu soluço sufocava cada palavra que ele tentava dizer. Cada sentimento que ele tentava sentir. Cada ação que ele pensava tomar.
Então ele acordou
Pensou rápido tudo não passou de um sonho. A dor não diminuiu e ele chorou, dessa vez perdido em meio a tanta confusão, sem saber o real motivo dos soluços que podiam ser ouvindo à distância. Então sua mente o inundou com um calor imenso e o choro agora virava um lamento.
Agora ele só queria poder voltar lá, nem que fosse em sonho, pra dizer que mesmo que cem milhões de sóis e estrelas se curvassem sobre ele, a dor de ter ficado em silêncio diminuiria.
Então ele gritou, como se quisesse convencer a si mesmo: É tudo por você. E na América se ouviu.
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