terça-feira, 26 de julho de 2011

Sobre sonhar e escrever

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Essa noite tive um sonho daqueles que me deixaram meio confuso. Sonhei, depois de anos, com minha vó Francisca, falecida em 1996, quando eu tinha míseros sete anos de idade. No sonho, ela, com aquele jeito calmo e faceiro que eu guardo na memória, me disse algumas palavras:

"Você tem que escrever sobre a inconstância do universo, meu filho. E tem que falar sobre a complexidade da vida. Não dá pra escrever sobre joguinhos pra sempre"

Acordei com essas palavras martelando na minha cabeça. Como pode uma mensagem tão clara e com tamanho sentido sendo proferida assim? Não entendo muito de psicanálise, mas estaria eu me culpado por aquilo que faço de melhor? Essa mente da gente é tão complexa e reserva tantas surpresas que eu não duvido de nada.

Só queria a vó Francisca aqui pra me explicar tudo isso.

You can put the blame on me

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Desde muito pequeno, eu sempre me culpei demais pelo que não dava certo. Desde aquela colinha que eu preparava para aquela prova que eu estava meio inseguro até o frango na final do campeonato da escola, tudo parecia motivo pra que eu me martirizasse por dias, até atingir um ponto onde não era mais possível conviver com tudo aquilo. Aí eu chorava, perdia as estribeiras, xingava todo mundo e pronto: como em um passe de mágica, as coisas pareciam voltar ao normal.

Problema é que longos 22 anos se passaram, e o Gustavo aqui continua com os mesmos pensamentos de sempre. Os problemas são outros, as situações são diferentes, mas a culpa permanece.

Me sinto culpado por não ser um bom filho, por não conseguir oferecer aquilo que meus pais esperam, culpado por não ter conseguido despertar afeto suficiente nos meus irmãos para que pudéssemos ter uma boa relação, culpado com o fracasso que é minha vida profissional, culpado por exigir demais das pessoas, por me envolver, por fazer cobranças e exigir atenção. Culpado por não ter conseguido terminar aquele game, por ter comido pouco no almoço, por ter enfrentado meu chefe quando ele estava errado. Culpado por não ser uma boa companhia quando estou triste, ou por ter sentimentos ruins como raiva e inveja em alguns momentos. Culpado pelos meus desejos, pelos meus amores e pelas minhas inconstâncias.

Culpado por me sentir culpado.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Cansaço

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Tô cansado de esperar algo que nunca vem, cansado de ficar aqui pensando que as coisas magicamente vão mudar, cansado de tentar me sentir bem ocupando a cabeça e engolindo sapos. Tô cansado, muito cansado.

Mas é engraçado, eu sei que tudo isso não faz muito sentido, que essa insegurança está me dominando, que esses sentimentos ruins estão me tomando tudo o que de bom eu tenho pra viver… mas eu simplesmente não consigo me afastar disso. Eu não consigo. Juro.

Me sinto sozinho, incompreendido e infeliz, mesmo sabendo que eu não deveria me sentir assim. Tá complicado.

domingo, 19 de junho de 2011

Cama

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Tentei dormir mais cedo hoje, pra tentar acordar bem disposto amanhã e ter um dia produtivo. Mas aí encostei a cabeça no travesseiro e comecei a pensar em tudo aquilo que anda me incomodando mais que o normal. Resultado: perdi completamente o sono e voltei pra frente do computador.

Raramente perco o sono, mas agora estou aqui com os olhos esbugalhados, a expressão meio blasé e a cabeça tão cheia de pensamentos que eu só queria deitar na cama e esquecer tudo.

O que me aflinge? O medo do futuro, a sensação de estar inerte, o medo da solidão. Medos tão meus que me sentiria menos Gustavo se não tivesse cada uma deles. Complicado é quando eles suplantam todo o resto, deixando essa sensação horrível de desconforto.

Enfim, vou tentar dormir de novo. Boa noite pra vocês.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Me fale sobre a sua vida

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Eu sempre achei meio estranho fazer análise. Não sei, a ideia de sentar olhando pra alguém que eu mal conheço e abrir a minha vida nunca me pareceu muito tentadora. Mesmo assim, resolvi aceitar o desafio – seja porque todos os outros caminhos pareciam não funcionar, seja porque na hora do desespero suas convicções não valem mais tanto assim.

E lá estou eu, sentado em uma confortável poltrona, variando a direção do meu olhar entre o teto e o meu pé, que balança rápido por culpa do nervosismo. Sai uma palavra, vem uma afronta, sai um contraponto, vem uma história.

Quarenta minutos depois estou “liberto” e curiosamente feliz. Será que o simples ato de poder falar o que se sente pra alguém que você não vai ter que olhar na cara no dia seguinte é algo que conforta a gente tanto assim? Ou será que a gente só se abre verdadeiramente com uma psicóloga porque acha que está pagando e por isso merece aproveitar esse “custo” da melhor forma possível? (maldito capitalismo)

Não sei ao certo, não sei mesmo. Fato é que hoje tenho mais um desses encontros marcados (não, não é com o Luiz Gasparetto). Depois conto mais pra vocês.

domingo, 5 de junho de 2011

Será que sorte virá num realejo?*

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Estou naqueles dias onde você espera que algo aconteça, algo que possam mudar a direção das coisas e te fazer mais feliz. Eu não tô exatamente infeliz, não é isso. Eu só acho que preciso viver de forma mais plena. Preciso respirar novos ares, enfrentar novos desafios, criar novos projetos.

Mas ao mesmo tempo, eu quero é que as coisas aconteçam de uma forma meio automática e que eu não precise muito buscá-las. Não ando com muito ânimo pra isso.

*Sim, a inspiração foi a música do Teatro Mágico

sábado, 4 de junho de 2011

Every Teardrop is a Waterfall: O renascimento do Coldplay?

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Coldplay - Every Teardrop Is a Waterfall (RadioRip)Todo mundo sabe que eu sou um grande fã do Coldplay, isso desde o começo dos anos 2000, quando a obra de Chris Martin era uma daquelas unanimidades no mundo da música. De lá pra cá, muita coisa mudou: os dois últimos álbuns foram recebidos com olhares enviesados e bocas ligeiramente tortas de desaprovação. Mesmo assim, eu continuei firme e forte. Parece que eu estava adivinhando.

Nessa sexta-feira (03/06), saiu o novo single da banda, Every Teardrop is a Waterfall, canção que ninguém sabe ao certo se estará no novo álbum que sai, se tudo der certo, ainda em 2011.

Após ouvir algumas vezes, dá pra perceber e afirmar com um quê de desconfiança: eles evoluíram muito desde o Viva la Vida. Apesar de ainda ter uma pegada intimista, a nova música é muito menos depressiva e muito mais reflexiva do que as presentes no último trabalho – que eram melancólicas em demasia. A letra fala de individualidade, de otimismo e, principalmente, de sentimento. Há uma metalinguagem interessante (I feel my heart start beating to my favourite song), mas isso parece ser só pretexto pra jogar nosso ânimo lá pra cima.

Há um tom de crítica nas entrelinhas, com algumas momentos geniais, como nos versos Don't want to see another generation drop/ I'd rather be a comma than a full stop que trazem um dos melhores momentos da banda em anos. O ritmo é bom, a melodia é contagiante, o refrão é grudento, a letra é inspirada. E o melhor de tudo: é Coldplay sem perder a essência!

Duvida? Ouça o single abaixo: